Entrevistado(a): Profª Ms. Clara Kurtz
Por: Vinícius Mitto Navarro
Clara Kurtz não é somente mais uma arquivista, ela realmente honra diuturnamente o juramento que fez no dia de sua formatura. Também formada em Letras, com habilitação em Língua Inglesa, realizou especialização em "Técnica e Didática em Arquivologia" pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Aperfeiçoou estudos na área de Arquivística e Restauração de Documentos na Espanha. Foi signatária da fundação do Núcleo da AAB no Rio Grande do Sul, da criação da Associação Gaúcha dos Bacharéis em Arquivologia e da Associação dos Arquivistas do Estado do Rio Grande do Sul. Dirigiu todas essas entidades, em diversos momentos, voltando agora a presidir a AARGS, para o biênio 2009-2011. Segue a entrevista concedida em jun/09.
Arquivoação: Agradecendo pela gentileza, gostaríamos de saber sobre sua formação e experiência em Arquivologia.
Clara Kurtz: Sou formada em Arquivologia, na primeira turma da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), com Mestrado em Ciência da Informação, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1999. Trabalhei como docente do curso de Arquivologia da UFSM, de 1980 a 2002. Como aposentada, presto serviços de consultoria na área de arquivos para empresas e municípios do Rio Grande do Sul.
AA: Desde quando e como tem participado da representação como Arquivista?
CK: Ainda como estudante, participei do Núcleo da AAB do Rio Grande do Sul, em 1978 e, a partir de 1979, fiz parte das diretorias do núcleo e, posteriormente, da Associação dos Arquivistas do Estado do Rio Grande do Sul, da qual participo ativamente até hoje.
AA: Como você vê o atual panorama da representação do Arquivista no Brasil? E com relação ao Mercosul, estamos mais organizados?
CK: O Arquivista, no Brasil, hoje, vem sendo representado profissionalmente pelas associações estaduais como Arq-SP, ABARQ, AARGS, AAERJ, AABA, AARQES, AAPR e AAG e pela AAB, que não têm mais a representação nacional, mas continua atuante. As demais entidades existentes, por não terem personalidade jurídica, não podem representar legalmente o profissional. Com relação ao Mercosul, embora haja um movimento desde 2003, no Congresso de Arquivologia do Mercosul, em Córdoba, Argentina, cada país segue independente na forma de se estruturar e atender aos anseios dos profissionais.
AA: Na sua opinião, o que falta efetivamente, para a criação do Conselho Federal e dos Regionais de Arquivologia?
CK: Já participei de vários momentos de encaminhamento de projetos de criação dos Conselhos Federal e Regionais de Arquivologia ou de Arquivistas. Atualmente, penso que antes de partirmos para uma nova proposta, temos que nos organizar e definirmos nossos objetivos, conhecermos quem somos, quantos somos e onde estamos. A contratação de Arquivistas tem sido muito grande nos últimos anos, mas quem tem uma visão de onde estão trabalhando os Arquivistas formados desde as primeiras turmas em nossas Universidades.
AA: No que tange o ensino e a pesquisa em Arquivologia, percebe-se avanços e desafios, desde a década de 1970?
CK: Naturalmente que os avanços são grandes e, isso se percebe nos resultados de pesquisas feitas pelos professores José Maria Jardim, Renato Tarcísio de Sousa e outros. Os desafios relacionam-se com a evolução da tecnologia da informação e comunicação, que exige um constante aperfeiçoamento dos docentes e, principalmente, da estruturação dos cursos de formação.
AA: Atualmente vê-se um aumento de vagas para Arquivistas em concursos públicos. Como você analisa este fato? A atuação do CONARQ e a ampliação de universidades ofertando formação contribuíram para este fato?
CK: Considero que a abertura de vagas para Arquivista em concursos públicos está muito mais relacionada com a necessidade das instituições em manterem seus acervos arquivísticos acessíveis, principalmente pela utilização da tecnologia, do que pela abertura de novos cursos de formação ou mesmo da atuação do CONARQ e outras entidades. A afirmativa que ouvíamos há uns dez anos, de que "para que estudar quatro anos se o computador realiza todo o trabalho do arquivista, em segundos", não é verdadeira. As informações produzidas no meio eletrônico precisam estar organizadas, classificadas e preservadas de modo que possam ser acessadas, quando necessárias. É certo também que muitas vagas são criadas e quem recebe o profissional não tem noção do trabalho desenvolvido pelo Arquivista. Aí entra o poder de persuasão e a qualificação do profissional para mostrar qual o seu papel na sociedade.
AA: Com sua experiência, como nota o mercado de trabalho para os Arquivistas gaúchos e cariocas?
CK: Não tenho dados sobre o mercado de trabalho para o Arquivista no Rio de Janeiro e nos outros Estados, mas deduzo que seja semelhante ao Rio Grande do Sul, onde a procura pelos profissionais aumenta a cada ano. Talvez ainda não haja, por parte do administrador, a compreensão do que faz o Arquivista, como gerenciador das informações, mas mesmo assim ele busca o profissional para organizar seus acervos.
AA: Que mensagem deixaria para os estudantes e Arquivistas do Brasil e exterior que leem o Arquivoação?
CK: Os estudantes devem buscar sempre o conhecimento além do que recebem na vida acadêmica, questionando os professores, buscando se aperfeiçoar sobre temas como marketing, gestão do conhecimento e comunicação interpessoal, que serão essenciais para sua qualificação.
PARA REFERENCIAR:
MITTO NAVARRO, Vinícius. Entrevista com Clara Kurtz Arquivoação, Rio de Janeiro, set/09. Disponível em: <http://www.arquivoacao.com/arquivopessoal.aspx>. Acesso em: DD/MM/AAAA.
arquivoacao.com - set/2009 - ISSN 2175-4241